E se a praça Getúlio Vargas fosse um palco para a cultura?

Um dia, o poeta mineiro Fernando Brant escreveu que o artista deve ir aonde o povo está. A frase, simples e direta, carrega uma provocação importante: a arte precisa estar próxima das pessoas, inserida no cotidiano, acessível a todos. A partir dessa reflexão, passei a me perguntar: onde está o povo em Pedro Leopoldo?

A resposta não é única. Nossa cidade é espalhada, diversa, cheia de pontos de encontro e circulação. O povo está em muitos lugares — nos bairros, nas feiras, nos comércios, nas ruas. Mas há um ponto em especial por onde praticamente todos passam, seja a pé ou de carro: a Praça Getúlio Vargas, também conhecida por muitos como Praça do Japonês, nome de um antigo sacolão que marcou época ali.

Trata-se de um espaço estratégico e vivo, apesar de suplicar por melhorias, prometidas para o próximo ano pela Prefeitura. Ao seu redor estão bancos, comércio, hotéis que recebem turistas interessados na trajetória de Chico Xavier e todo o circuito turístico ligado à sua história – a no máximo dois quarteirões, estão centros espíritas, a casa onde ele viveu, o Lar dos Xavier. É, sem dúvida, um dos pontos mais pulsantes da cidade.

E é justamente aí que quero chegar. Por que não transformar esse espaço em um verdadeiro polo cultural? Um local pensado para exposições, feiras e venda de arte e artesanato, promovendo a convivência entre artistas, artesãos, ceramistas e todos aqueles que apreciam a cultura. Um ambiente aberto, democrático e inspirador.

A administração pública poderia, inclusive, promover um concurso entre arquitetos para a criação do melhor projeto, envolvendo a comunidade e valorizando ideias inovadoras. Esse novo espaço poderia receber um nome que homenageasse a cultura local, como, por exemplo, Espaço Cultural José Issa Filho — uma forma de reconhecer e preservar nossa identidade literária e artística.

Além disso, o espaço poderia ser integrado às escolas, recebendo visitas de estudantes e promovendo atividades educativas, fortalecendo o vínculo entre arte, cultura e formação cidadã.

De minha parte, essa sugestão nasce da experiência como artista plástico. Há anos mantenho um ateliê de artes plásticas, onde recebo visitantes de várias cidades e estados. É um trabalho contínuo, feito com dedicação, mas que ainda enfrenta limitações — como o funcionamento, restrito aos dias úteis, das 8h às 18h. Um espaço público como esse, em praça pública, ampliaria significativamente o alcance da arte na cidade.

Enfim, esta é apenas uma proposta. Pode gerar debate, opiniões divergentes ou até polêmica — o que também é saudável e necessário. O importante é abrir a reflexão sobre o papel da arte em nosso cotidiano e sobre como podemos torná-la mais presente na vida das pessoas.

Certo da compreensão de todos, deixo aqui essa contribuição, com o desejo de que ela inspire novas ideias e caminhos para a cultura em nossa cidade.

Márcio Barbosa

Nascido em Sete Lagoas, Márcio Barbosa é artista plástico e vive em Pedro Leopoldo há quase 50 anos. É proprietário da Consert Eletrônica, na rua Esporte, 40, ao lado da qual mantém seu ateliê de arte.

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