A força da comunicação não violenta

Quando a forma de falar e ouvir transforma relações. Uma reflexão sobre como nos comunicamos (e como podemos melhorar)

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Artigo de Aloisio Vilaça Constantino*

Participei, no último dia 28 de março, de uma reunião com a equipe de professores da Escola de Formação Gerencial da Faculdade Pedro Leopoldo (EFG-FPL), cujo objetivo principal foi o de refletir sobre a forma como nos comunicamos no dia a dia – dentro e fora da sala de aula. O encontro teve como tema um conceito desenvolvido por Marshall Rosenberg: a Comunicação Não Violenta.

A ideia, que já integra o planejamento institucional da FPL, representa um conjunto de princípios simples, porém muito eficazes, que podem transformar a qualidade dos diálogos e das decisões na vida de cada indivíduo. No ambiente escolar, pode melhorar efetivamente a gestão interna e as relações entre membros da comunidade acadêmica, ao oferecer diretrizes claras para fomentar um ambiente de aprendizado mais produtivo, ético, inclusivo, democrático e, sobretudo, humano.

Neste contexto, o mais importante é observar sem julgar. Parece fácil, mas não é. Quantas vezes a gente tira de início conclusões precipitadas ou rotula situações e pessoas, sem realmente entender o que está acontecendo? A Comunicação Não Violenta propõe exatamente o contrário: descrever os fatos com clareza, sem carregar interpretações ou acusações.

Outro ponto importante é transformar nossas necessidades em pedidos claros. Em vez de críticas vagas ou cobranças indiretas, a ideia é ser objetivo e direto, mas com respeito. Isso muda completamente o tom das conversas e, principalmente, os resultados que elas geram.

A CNV não é apenas uma técnica de comunicação, é uma postura diante do outro. Ela nos convida a pensar no impacto das nossas palavras e a construir relações mais empáticas, responsáveis e humanas. No ambiente acadêmico, isso faz ainda mais sentido. Afinal, estamos lidando com formação, troca de ideias e construção coletiva de conhecimento.

Em vez de conflitos desnecessários ou mal-entendidos, abre-se espaço para diálogos mais respeitosos e realmente construtivos. A CNV não só melhora o aprendizado, como fortalece o ambiente como um todo, ao tornar mais produtivas as discussões em sala de aula.

Na ocasião, eu fiz um convite aos professores: que todos nós passemos a incorporar essas práticas no nosso cotidiano. Não apenas nas aulas, mas em todas as relações. Porque, no fim das contas, comunicar-se bem não é apenas falar — é também ouvir, compreender e respeitar.

Com este propósito, o conceito da Comunicação Não Violenta tem sido difundido pela FPL em vários ambientes. Já realizamos cursos de formação com este conteúdo em Belo Horizonte, na Advocacia-Geral do Estado de Minas Gerais; e em Pedro Leopoldo, no Hotel Tupyguá e no Lar Para Idosos Irmã Tereza – Laiite.

O raciocínio vale para tudo e para todos. Pequenas mudanças na forma como nos expressamos podem gerar transformações muito maiores do que imaginamos. E talvez seja exatamente disso que precisamos hoje: mais empatia, mais clareza e, acima de tudo, mais humanidade nas nossas relações.

*Aloisio Vilaça Constantino é advogado, professor da Escola Sebrae e Coordenador do Curso de Direito da FPL

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