Alguém comeria comida de mentira? Mas por que lêem notícias falsas como se fossem verdade?

Imagem de S. Hermann & F. Richter por Pixabay

Sabe aqueles perfis de amigos seus no Facebook nos quais o cara adora postar xingamentos ao STF, aos governadores, aos prefeitos, ao isolamento social e outras posições radicais? Você deve se perguntar: onde é que ele arruma tanto meme?

Pois é, esse mistério está para ser desvendado. O Facebook foi forçado por grandes anunciantes da plataforma a dar um jeito nos discursos de ódio e nas fakenews. O Mark Zuckerberg, dono do Face, do Instagram e do Whatsapp, contratou uma consultoria que achou várias contas falsas espalhadas por toda a rede, disseminando mentiras e discursos extremistas. Esse tipo de coisa já estava sendo investigado pelo Ministério Público e pela CPI das Fakenews, e é bem capaz de, neste momento, essas estranhas publicações sumirem das redes sociais. Pelo menos durante um tempo. Pena que logo, logo, aparece uma porção de novas contas, usando inclusive o nome de órgãos de imprensa, como rádios e jornais, para fazer discurso de ódio, propagar notícias falsas e dividir ainda mais as pessoas.

O jornal, a rádio que você conhece estão na internet para ficar mais perto de você. E você pode confiar muito mais neles porque, se eles noticiarem algo incorreto, que vá além da liberdade de expressão, eles têm nome, endereço físico e CNPJ, podem ser cobrados e até processados. Já esses sites e páginas que o Facebook descobriu, não. São pessoas e instituições escondidos atrás de falsos nomes para espalhar falsos fatos. Para pessoas que consomem essas mentiras porque acreditam nelas.

É que nem comida: as pessoas só comem aquilo que apreciam, não é? Mas pense bem: ninguém comeria comida de mentira.

Bianca Alves

Criadora e editora do projeto AQUI PL, é formada em Comunicação Social pela UFMG e trabalhou em publicações como os jornais O Tempo, Pampulha, O Globo; revistas Isto é, Fato Relevante, Sebrae, Mercado Comum e site Os Novos Inconfidentes

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